Influências

Há Dois Mil Anos de Chico Xavier pelo espírito Emmanuel

Não há resumo; não há “um contexto geral”, tampouco tão somente UMA ÚNICA lição de vida.

O interessante é que, quando se avacalha, atrapalha, quando se torna deliberados empecilhos à união entre casais, familiares, amigos, enfim, “há aqueles que precisam ser separados, ou associados demandam o caos”; o foco aqui é direcionado à Cobiça, ao Despeito e à Inveja incontroláveis e daí, transmutados em atos de terceiros que estão cientes que de haverão consequências melindrosas, “torcem para que assim suceda”, embora inconsequentes, imprudentes, estarrecidos se deparados ao que lhes foge ao controle.

Lembremos, SÓ EXISTEM FINAIS FELIZES A ROMANCES SÔFREGOS, SOMENTE EXISTEM ESTÓRIAS VERDADEIRAMENTE ÉPICAS A SEREM RELATADAS, QUANDO GALGADA A LIBERTAÇÃO DE MALES, TRAVADA A BATALHA EMOCIONAL COM A MESMA SAGACIDADE DOS CONFRONTOS BÉLICOS.
Os Antagonistas das situações e circunstâncias atravessadas, “são ou foram”, de alguma maneira, personalidades destacáveis na vida de suas vítimas, detendo algum poder ou controle que, mal utilizado (e o Antagonista se arma assim), alteram sobremaneira o decurso do destino.

Parece passar desapercebido ao leitor (faz pouco, me atinei para tal), em que se pese aos espiritualistas, que a exposição a peito aberto do histórico de sua existência, Emmanuel enseje inspiração, atividade empenhada pessoal para se evitar as leviandades consideradas corriqueiras no dia a dia, capazes, entretanto, numa atitude ou omissão em hora indevida, deixarem adentrar em moradia cômoda na vida alheia, a traição, a conspiração, a tramoia e a desmoralização que, acumulada uma a uma, tempo após tempo, é determinante para o quadro geral de “como realmente ERA um determinado indivíduo, ou as motivações que, talvez, quem sabe, tenha os DEFORMADO assim ou assado.

Com ou sem corpo, HOUVE CORAGEM na admissão das falhas, por mais torpes que aparentem; RACIONALIDADE na percepção de sua própria gradativa evolução, e de tal HUMILDADE se utiliza por fraternidade a seus pares terrenos, implicando no ESTUDO ANALÍTICO DAS RESPONSABILIDADES COMPORTAMENTAIS QUE TEMOS, PARA CONOSCO E COM A COLETIVIDADE, DESDE O ABRIR AO CERRAR OS OLHOS EM CADA DIA VIVIDO NA TERRA!

O que é absorvido verdadeiramente, pelos leitores, do enredo? Por personalíssimo que seja cada sentimento, a primeira reação é simplista: “Era uma vez o Senador babaca que se permitiu, e à sua esposa, de índole incorruptível e ilibada, serem sacaneados; o trouxa desconfia perpetuamente da mulher, por efeito desforrando suas dúvidas (resultado de orgulho, prepotência e muita pouca autoestima) numa Dama que, se dela ousássemos transcorrer, denominação inferior a de Uma Augusta Dama das águas salgadas (lágrimas), menos que isso seria suficiente ou mesmo depreciativo à sua estrutura e posicionamento ante ao todo a seu redor. E não para por aí, olha lá Jesus no meio desse angu de caroço, morto crucificado do mesmo jeito, o fim da estória do Nazareno é o mesmo; e não bastando, há nessa viagem no tempo, um ardor íntimo do planeta que eclode na erupção do Vesúvio!

E tem mais!

Basta que leiam. Quem leu, sabe!

Porém, Emmanuel não traz em si, o Senador Públio Lêntulus, e sua ramificação patriarcal de outrora, para relatar seus descaminhos; desencaminhado qualquer ser humano possivelmente esteja, entretanto, questiono: É AVALIADA AO PÉ DA LETRA AS REAFIRMAÇÕES CRÍSTICAS, TRAZIDAS PELO ESPÍRITO CONSOLADOR, E QUE ESTÃO VÍVIDOS NA SENDA INTEIRA, desde Há Dois Mil Anos, 50 Anos Depois e Ave Cristo? Além de RENÚNCIA?

Não consegui ainda a robustez doutrinária para ler Renúncia. Sobre o livro Renúncia, prosseguimento da trilogia anterior, nada sei…Os primeiros parágrafos, “um espírito que chega a ser etéreo, inda que em conservação de traços terrenos acompanhando, por amor alguém que…” daí pra frente, plaft! Livro fechado, personagens calados, EU ME NEGO A SABER! Desconheço, por hora, os motivos. Tudo a seu tempo!

A Obra Há Dois Mil Anos é o marco de um período, conquanto nivelado ao plano espiritual e o palco terreno, da instigação implícita dos sentidos; a esperança sussurrada nas suas páginas, que se, no rompante, melindra conquanto às exposições de atrocidades acometidas aos personagens que se aprende a amar, outra aspiração do leitor não poderia advir que a da FÉ.

Há Dois Mil Anos une a Fé, A Esperança e o Amor.

Nada de “almas gêmeas apartadas pela maledicência humana, E Ponto!”

Vai além, podendo apontar toda acuidade moral individual e coletiva, dos seres, naquele momento específico da História; é pouco? Indo além das fronteiras em demonstrações FÁTICAS REAIS (basta atentar às alterações ou convicções ainda toscas, dos personagens), da aplicabilidade de Leis Naturais (quantas ainda desconhecidas!), eis em extraordinária apresentação a mais Terrível, Temível, porém, a mais necessária das Leis, “das quais nenhum ser humano se isenta, nenhum!” a Lei da Causa e Efeito.

A trilogia do então Senador, desde a escravidão do “bonitão”, em 50 anos Depois, à vida provinciana que de pacata pouco teve, em Ave Cristo (pululavam os animais domésticos do romance, e corações de leitores juntos) solidifica a convicção de que é possível, aliás, é O DESTINO do Homem se superar, tornando-se a verdadeira proeza do Criador!
Flávia Neves


Segmento: Espiritualidade. Literatura
Data: 15 dezembro, 2017